Coloco aqui minhas reflexões, minhas poesias, poesia de terceiros, textos, algumas brincadeiras e muita paz de espírito.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

QUERO

Carlos Drummond de Andrade Quero
Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.


http://youtu.be/2GMoB1ukqCk


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Princípios Corretos

Ao centrarmos nossas vidas em princípios corretos, criamos uma base sólida para o desenvolvimento dos quatro fatores que sustentam a vida: segurança, sabedoria, orientação e poder.

Nossa segurança vem do conhecimento de que os princípios corretos não mudam. Nós podemos confiar neles. Os princípios são verdades profundas, fundamentais, verdades clássicas. São linhas estreitamente interligadas que tecem a vida com exatidão, consistência, beleza e força. paisagem  sol (4)Mesmo em meio a pessoas ou ocasiões que parecem ignorar os princípios, podemos nos consolar com a certeza de que estes são maiores do que as pessoas ou as circunstâncias. E, mais importante ainda: podemos ficar tranqüilos por saber que podemos comprovar a validade deles em nossas vidas, através de nossa própria existência.

Nosso conhecimento e compreensão dos princípios corretos se restringem em função da falta de consciência de nossa própria natureza e do mundo a nossa volta. A compreensão do princípio do amadurecimento nos permite sair em busca dos princípios corretos, com a certeza de que, ao aprender mais, conseguimos focalizar com maior clareza as lentes através das quais vemos o mundo.

Os princípios não mudam. A noção que temos deles sim.

A sabedoria e a orientação que acompanham a vida centrada nos princípios derivam de "mapas corretos" que permitem que vejamos claramente aonde desejamos ir e como chegar lá. O poder pessoal, que acompanha a vida centrada nos princípios, vem da autoconsciência, da compreensão, e não se limita em função das atitudes, comportamentos e ações dos outros.

A única limitação real do poder encontra-se nas conseqüências naturais dos próprios princípios. Somos livres para escolher nossas ações, mas não somos livres para escolher as conseqüências. Os princípios têm conseqüências naturais vinculadas a eles: positivas, quando vivemos em harmonia com eles; e negativas, quando os ignoramos.

Enfim, quanto mais conhecemos os princípios corretos, maior é nossa liberdade pessoal para agir com sabedoria.


Vende-se Tudo

paisagem folha No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:

- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.

- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.

Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas.

Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu. No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material.
Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo.

Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida.

Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile.

Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde.

Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza:

"só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir,"é melhor refletir e começar a trabalhar o DESAPEGO JÁ!
Não são as coisas que possuímos ou compramos que representam riqueza, plenitudee felicidade.

São os momentos especiais que não tem preço, as pessoas que estão próximas da gente e que nos amam, a saúde, os amigos que escolhemos, a nossa paz de espírito.

Felicidade não é o destino e sim a viagem.


Texto de Martha Medeiros


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O PONTO NEGRO

ponto negro Certo dia, um professor chegou na sala de aula e disse aos alunos para se prepararem para uma prova-relâmpago. Todos acertaram suas filas, aguardando assustados o teste que viria. O professor foi entregando, então, a folha da prova com a parte do texto virada para baixo, como era de costume. Depois que todos receberam, pediu que desvirassem a folha.

Para surpresa de todos, não havia uma só pergunta ou texto, apenas um ponto negro, no meio da folha.

O professor, analisando a expressão de surpresa que todos faziam, disse o seguinte:

- Agora, vocês vão escrever um texto sobre o que estão vendo.

Todos os alunos, confusos, começaram, então, a difícil e inexplicável tarefa.

Terminado o tempo, o mestre recolheu as folhas, colocou-se na frente da turma e começou a ler as redações em voz alta. Todas, sem exceção, definiram o ponto negro, tentando dar explicações por sua presença no centro da folha. Terminada a leitura, a sala em silêncio, o professor então começou a explicar:

- Esse teste não será para nota, apenas serve de lição para todos nós. Ninguém na sala falou sobre a folha em branco. Todos centralizaram suas atenções no ponto negro. Assim acontece em nossas vidas. Temos uma folha em branco inteira para observar e aproveitar, mas sempre nos centralizamos nos pontos negros. A vida é um presente da natureza dado a cada um de nós, com extremo carinho e cuidado. Temos motivos para comemorar sempre!

A natureza que se renova, os amigos que se fazem presentes, o emprego que nos dá o sustento, os milagres que diariamente presenciamos. No entanto, insistimos em olhar apenas para o ponto negro! O problema de saúde que nos preocupa, a falta de dinheiro, o relacionamento difícil com um familiar, a decepção com um amigo. Os pontos negros são mínimos em comparação com tudo aquilo que temos diariamente, mas são eles que povoam nossa mente. Pense nisso! Tire os olhos dos pontos negros de sua vida.

Aproveite cada bênção, cada momento que o Criador te dá.Tranqüilize-se e seja ... FELIZ!


http://padilhaverde.blogspot.com/2012/02/o-ponto-negro.html

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Quarto dedo


Uma lenda chinesa conseguiu explicar de uma maneira bonita e muito convincente:

Os polegares representam os pais. Os indicadores representam teus irmãos e amigos.O dedo médio representa a você mesmo. O dedo anelar (quarto dedo) representa o seu cônjuge. O dedo mindinho representa seus filhos. Agora junte suas mãos palma com palma, depois, une os dedos médios de forma que fiquem apontando a você mesmo, como na imagem….

Agora tenta separar de forma paralela seus polegares (representam seus pais) você vai notar que eles se separam porque seus pais não estão destinados a viver com você até o dia da sua morte, una os dedos novamente.
Agora tenta separar igualmente os dedos indicadores (representam seus irmãos e amigos), você vai notar que também se separam porque eles se vão, e tem destinos diferentes como se casar e ter filhos.

Tente agora separar da mesma forma os dedos mindinhos (representam seus filhos) estes também se abrem porque seus filhos crescem e quando já não precisam mais de nós se vão, una os dedos novamente.

Finalmente, tente separar seus dedos anelares (o quarto dedo que representa seu cônjuge) e você vai se surpreender ao ver que simplesmente não consegue separá-los. Isto se deve ao fato de que um casal está destinado a estar unido até o último dia da sua vida, e é por isso que o anel se usa neste dedo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

DIÁRIO DE UMA CINQUENTONA

DIA 1
Celebramos hoje o 30º Aniversário de Casamento, um milagre! Tentamos reviver a nossa lua-de-mel, mas ele não conseguiu... Daí ele vai ficando cada vez mais irritado, nervoso, impaciente... E eu, subindo pelas paredes!

DIA 2
Hoje ele me contou o seu grande segredo: Está "meio" impotente! "Meio" é? sei... Grande novidade... Ele, realmente pensa que eu ainda não sabia...

DIA 3
Este casamento vai mal... Uma mulher tem seus direitos e suas necessidades...

DIA 4
Estou entusiasmada... Li que o Viagra pode resolver nosso problema. Meu marido ficou meio receioso (depois de ficar "meio" impotente virou hipocondriáco) e consultou o cardiologista que disse que não tinha problema, e ele resolveu que vai substituir o Lexotan (que toma quando está ancioso) e o Prozac (no tratamento para depressão) pelo Viagra, na esperança que levante algo mais do que só o entusiasmo...

DIA 5
Uma benção dos céus!

DIA 6
A vida é maravilhosa! Meu marido está calmo, não se irrita com mais nada, fala manso, faz planos, a pressão arterial está de uma criança e não toma mais nem Lexotan e nem Prozac.

DIA 7
Tenho de confessar: O Viagra tem sido muito bom! Nunca fui tão feliz.

DIA 8
Acho que ele exagerou na dose do Viagra neste fim de semana... Já começo a ficar um pouco ardida e dolorida nas partes baixas...

DIA 9
Não tenho tempo para escrever... Ele pode me pegar a qualquer hora...

DIA 10
O.k., admito, estou escondida! É que não há mulher que agüente tanto! O que hei de fazer? Estou toda moída...

DIA 11
EU JÁ NÃO AGÜENTO MAIS! É o mesmo que ir para a cama com uma furadeira Black & Decker! Acordei, esta manhã, vestida com 2 calças jeans e colada à cama!

DIA 12
Quem me dera que ele fosse viado... Deixei de me maquiar, tomar banho, escovar os dentes... Mas, mesmo assim, ele vem atrás de mim. Até bocejar se transformou em perigo eminente!

DIA 13
Cada vez que fecho os olhos, lá vem mais um ataque... De madrugada... ao acordar... depois do almoço... e nos finais de semana nem se fala!....Vivo com um míssil Scud grudada no rabo! Já mal consigo andar...

DIA 14
Já fiz de tudo para ele me deixar em paz, mas não adianta... Guardei minhas roupas mais arrojadas, minhas lingeries, até já me vesti como uma freira, mas foi pior ainda... Ele adorou, achou sexy...eu me vestir toda formal... Socooooorro!

DIA 15
Vou acabar por matá-lo... São umas dores infernais quando me sento... Nossos filhos e netos mal vemos! Os amigos nem se atrevem mais a nos convidar para sair ou aparecerem em casa, pois vivemos em cima da cama...

DIA 16
Hoje, sugeri-lhe que largasse o Viagra e voltasse a tomar o Prozac... ele quase me encheu de porrada! Pedi pelo amor de Deus que ele tomasse pelo menos uma banda de Lexotan e ele furioso ameaçou arranjar uma mulher fogosa!

DIA 17
Eu coloquei Lexotan e Prozac na caixa do Viagra, mas parece que não fez efeito... Lá vem ele outra vez...

DIA 18
GRAÇAS A DEUS! O Lexotan e oProzac começaram finalmente a fazer efeito! Meu marido agora começa a sair para visitar nossos filhos, brincar com nossos netinhos, ir ao supermercado, padaria, banca de revista, farmácia... voltou a se encontrar com os velhos amigos, dorme cedo, e quando acorda de madrugada não me perturba mais: fica assistindo na TV os Pastores Evangélicos fazerem pregações, exorcismos... Nossos finais de semana voltaram à normalidade: ele passa os dias de domingo em frente à TV, com o controle remoto na mão, à espera de que eu lhe faça tudo... COMIDINHA, CERVEJINHA, SUQUINHO... Assiste tudo: FUTEBOL, FILMES, NOVELAS...PROPAGANDAS...
Ah!.....Que vida calma e maravilhosa....


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Entendendo a Ilusão Religiosa

RELIGIÕES - ILUSÃO DE ÓTICAface ilusão de ótica

Vamos imaginar que eu lhe conte a seguinte estória:

  • Há um homem que mora no Polo Norte.
  • Ele mora lá com sua esposa e um monte de elfos.
  • Durante o ano, ele e os elfos fabricam brinquedos.
  • Então, na véspera de Natal, ele enche um saco com todos os brinquedos.
  • Ele coloca esse saco em seu trenó.
  • Este trenó está atrelado a oito ou nove renas voadoras.
  • Então ele voa de casa em casa, pousando nos telhados de cada uma.
  • Ele desce junto com seu saco pela chaminé.
  • Ele deixa brinquedos para as crianças que moram nessas casas.
  • Ele sobe de volta pela chaminé, volta para seu trenó e voa para a próxima casa.
  • Ele faz isso no mundo todo em uma única noite.
  • Então ele volta para o Pólo Norte e o ciclo se repete no próximo ano.

Esta, claro, é a estória de Papai Noel.

Mas vamos dizer que eu sou um adulto e seu amigo, e eu revelo para você que eu acredito que esta estória é verdade. Eu acredito nisso com todo o meu coração. E eu tento convencê-lo a acreditar nessa estória assim como eu.

O que você iria pensar de mim? Você pensaria que eu estou enganado, e com razão.

Por que você acharia que eu estou enganado? Porque você sabe que Papai Noel não existe. A estória toda é apenas um conto de fadas. Não importa o quanto eu fale sobre o Papai Noel, você não vai acreditar que ele é real. Renas voadoras, por exemplo, são devaneios. O dicionário define engano como “Falsa crença ou ilusão, apesar de evidências em contrário”. Esta definição se encaixa perfeitamente.

Já que você é meu amigo, você pode tentar me ajudar a perceber que minha crença no Papai Noel é uma ilusão. A maneira como você tentaria me convencer disso seria fazendo algumas perguntas. Por exemplo, você pode dizer para mim:

  • “Mas como o trenó pode carregar brinquedos suficientes para o mundo inteiro?” Eu diria que o trenó é mágico e tem a habilidade inerente de fazer isso.
  • “Como Papai Noel entra nas casas ou nos apartamentos que não possuem chaminé?” Eu diria que Papai Noel pode fazer chaminés aparecerem, como no filme“Meu Papai é Noel”.
  • “Como Papai Noel desce uma chaminé se ela estiver acesa?” A roupa do Papai Noel é resistente a chamas e auto-limpante também.
  • “Por que os alarmes de segurança nunca detectam o Papai Noel?” Papai Noel é invisível aos sistemas de segurança.
  • “Como Papai Noel viaja rápido o suficiente para visitar todas as crianças em uma noite?” Papai Noel controla o tempo.
  • “Como Papai Noel sabe se uma criança foi boa ou má o ano todo?” Papai Noel é onisciente.
  • “Por que Papai Noel dá presentes melhores às crianças ricas, mesmos quando estas foram más e nunca dá nenhum para as crianças pobres?” Não há como entender os mistérios do Papai Noel porque somos meros mortais, mas Papai Noel tem suas razões. Talvez, por exemplo, crianças pobres não conseguiriam usar brinquedos eletrônicos caros. Como elas poderiam arcar com as pilhas? Então Papai Noel as poupa desse peso.

Estas são perguntas lógicas que você me fez. Eu respondi a todas elas para você. Eu me pergunto então por que você não pode ver o que eu vejo, e você se pergunta como eu posso ser tão maluco.

Por que você não se satisfez com minhas respostas? Por que ainda acha que eu estou enganado? É porque minhas respostas não fizeram mais do que confirmar seus cálculos. Minhas respostas foram ridículas. Para responder às suas perguntas, eu inventei, completamente do nada, um trenó mágico, uma roupa incombustível auto-limpante, chaminés mágicas, controle do tempo e invisibilidade mágica. Você não acredita em mim pois sabe que eu estou inventando todas essas coisas. As evidências em contrário são volumosas.

Agora deixe-me mostrar outro exemplo…

SEGUNDO EXEMPLO

Imagine que eu te conto a seguinte estória:

  • Uma noite, eu estava no meu quarto.
  • De repente, meu quarto fica extremamente brilhante.
  • A próxima coisa que eu percebo é que há um anjo no meu quarto.
  • Ele me conta uma estória magnífica.
  • Ele diz que há uma pilha de placas douradas enterradas ao lado de uma colina em Nova Iorque.
  • Nessas placas estão os livros de uma raça perdida de um povo judeu que habitava a América do Norte.
  • Essas placas estão escritas na língua nativa desse povo.
  • Um dia, esse anjo me levou até essas placas e me deixa levá-las para casa.
  • Mesmo as placas estando numa língua estrangeira, o anjo me ajuda a decifrá-las e a traduzí-las.
  • Então essas placas são levadas para o céu, sendo nunca mais vistas.
  • Eu tenho o livro com a tradução das placas. Ele conta estórias impressionantes — uma civilização inteira de judeus vivendo nos Estados Unidos há 2.000 anos atrás.
  • E Jesus ressuscitado visita essas pessoas!
  • Eu também mostrei essas placas douradas para um certo número de pessoas reais que são minhas testemunhas oculares, e eu tenho assinaturas delas confirmando que, de fato, viram e tocaram essas placas antes de serem levadas para o céu.

Agora, o que você me diria sobre esta estória? Mesmo que eu tenha o livro, em português, que me conta a estória dessa civilização judaica perdida, e mesmo que eu tenha atestados assinados por testemunhas, o que você diria? Esta estória parece maluca, não?

Você poderia perguntar algumas questões óbvias. Por exemplo, você poderia perguntar “Onde ficam as ruínas e os artefatos desse povo judeu na América?” O livro traduzido das placas fala sobre milhões de judeus fazendo todo o tipo de coisas na América. Eles tinham cavalos, gados, carruagens, armaduras e grandes cidades. O que aconteceu com tudo isso? Eu simplesmente responderia que está tudo lá, mas ainda não encontramos nada. “Nem mesmo uma cidade? Ou uma roda de carruagem? Nem um elmo?” você pergunta. Não, não encontramos nenhum sinal de evidência, mas está tudo em algum lugar. Você faz dúzias de perguntas como estas e eu respondo a todas elas.

A maioria das pessoas achariam que eu estou maluco se lhes contasse esta estória. Eles pensariam que não haveria placa alguma, nem um anjo, e que eu teria escrito o livro eu mesmo. A maioria das pessoas iriam ignorar as assinaturas — fazer pessoas atestarem algo não prova nada. Eu poderia ter pago as testemunhas, ou poderia tê-las inventado. A maioria das pessoas rejeitaria minha estória sem dúvida.

O que é mais interessante é que há milhões de pessoas que acreditam nesta estória de um anjo, das placas e da civilização judaica vivendo na América do Norte há 2.000 anos atrás. Esses milhões de pessoas são membros da Igreja Mórmon, cuja matriz fica na cidade de Salt Lake, Utah. A pessoa que contou esta incrível estória se chama Joseph Smith e ele viveu nos Estados Unidos no começo do século XIX. Ele contou esta estória e anotou o que ele “traduziu das placas douradas” no Livro dos Mórmons.

Se você encontrar um mórmon e perguntar sobre esta estória, ele passará horas te contando sobre ela. Eles podem responder cada uma das questões que você tiver. Ainda assim, 5,99 bilhões de pessoas que não são mórmons podem ver com total clareza que esta estória é uma ilusão. Simples assim. Você e eu sabemos com 100% de certeza que a estória dos mórmons não é nada diferente da estória do Papai Noel. E estamos certos em nossa posição, já que as evidências em contrário são volumosas.

TERCEIRO EXEMPLO

Imagine agora que eu lhe conte esta estória:

  • Um homem estava sentado em uma caverna no seu canto.
  • Uma luz brilhante e intensa aparece.
  • Uma voz diz apenas uma palavra: “Leia!” O homem sente como se estivesse morrendo. Isto aconteceu várias vezes.
  • Então o homem pergunta, “O que devo ler?”
  • A voz diz “Leia, em nome do Senhor que criou os humanos de um coágulo. Leia que seu Senhor é o Mais Generoso. Ensinou através do cálamo. Ensinou ao homem o que este não sabia.
  • O homem correu para casa, para junto de sua esposa.
  • Enquanto corria para casa, ele viu a face gigantesca de um anjo no céu. O anjo disse que era um mensageiro de Deus. O anto também se identificou como sendo Gabriel.
  • Em casa, naquela noite, o anjo apareceu para o homem em seus sonhos.
  • O anjo apareceu para este homem de novo e de novo. Algumas vezes em sonhos, outras durante o dia como sendo “revelações em seu coração”, algumas vezes precedido por um ribombar de um sino em seus ouvidos (fazendo com que os versos fluíssem de Gabriel diretamente para o homem), e algumas vezes Gabriel simplesmente aparecia em carne e osso. Escribas escreviam tudo o que o homem dizia.
  • Então, numa noite após 11 anos do primeiro encontro, Gabriel apareceu para o homem com um cavalo mágico. O homem subiu no cavalo, e o cavalo o levou para Jerusalém. Então o cavalo alado levou o homem às sete camadas do paraíso. O homem foi capaz de ver o paraíso e falar com pessoas nele. Então Gabriel o trouxe de volta para a Terra.
  • O homem provou que esteve mesmo em Jerusalém pelo cavalo alado respondendo corretamente perguntas sobre os prédios e pontos geográficos do local.
  • O homem continuou recebendo revelações de Gabriel por 23 anos, e então elas pararam. Todas as revelações foram gravadas pelos escribas em um livro que existe até hoje.

Baseado no livro “Understanding Islam”, de Yahiya Emerick

O que achou desta estória? Se você nunca a ouviu antes, achará que não faz sentido algum, da mesma maneira que sentiu sobre as estórias das placas de ouro e do Papai Noel. Você se sentiria da mesma maneira quando lesse o livro que foi supostamente transcrito por Gabriel, porque grande parte dele é obscuro. Os sonhos, o cavalo, o anjo, a ascenção, e as aparições de um anjo em carne e osso — você ignoraria isso tudo porque é tudo ilusão.

Mas você precisa tomar cuidado. Esta estória é a base da religião muçulmana, praticada por mais de um bilhão de pessoas no mundo todo. O homem é Maomé, e o livro é o Corão (também conhecido como Alcorão). Esta é a estória sagrada da criação do Corão e a revelação de Alá para a humanidade.

Tirando o fato de que um bilhão de muçulmanos professam algum nível de crença nesta estória, pessoas fora da fé muçulmana consideram-na uma ilusão. Ninguém acredita nesta estória porque ela é um conto de fadas. Eles consideram o Corão um livro escrito por um homem e nada mais. Um cavalo alado que voa para o paraíso? Isso não existe — existe tanto quanto renas voadoras.

Se você é cristão, por favor pare um momento agora e olhe novamente as estórias dos muçulmanos e dos mórmons. Por que é tão fácil ver essas estórias e perceber que são contos de fadas? Como você sabe, com certeza absoluta, que mórmons e muçulmanos estão enganados? Da mesma maneira que sabe que Papai Noel não existe. Não há evidências de nenhuma dessas estórias. Elas envolvem coisas mágicas como anjos e cavalos alados, alucinações e sonhos. Cavalos não podem voar — nós todos sabemos disso. E mesmo se pudesse, ele voaria para onde? O vácuo do espaço? Ou o cavalo de alguma forma se “desmaterializou” e então se “materializou” no céu? Se for isso, então esses processos foram inventados também. Cada parte destas estórias são ilusões. Todos nós sabemos disso.

Um observador imparcial pode ver como são impossíveis essas estórias. Da mesma maneira, muçulmanos podem ver que os mórmons estão enganados, mórmons podem ver que os muçulmanos estão enganados, e cristãos podem ver que ambos estão enganados.

EXEMPLO FINAL

Agora deixe-me contar uma última estória:

  • Deus inseminou uma virgem chamada Maria, para poder encarnar seu filho no nosso mundo.
  • Maria e seu marido, José, tiveram que viajar para Belém para se cadastrarem para o censo. Lá, Maria deu a luz o filho de Deus.
  • Deus pôs uma estrela no céu para guiar pessoas até o bebê.
  • Durante um sonho, Deus diz a José para pegar sua família e ir para o Egito. Então Deus parou e assistiu enquanto Herodes matava milhares e milhares de bebês em Israel na tentativa de matar Jesus.
  • Como um homem, o filho de Deus alegou ser o próprio Deus encarnado. “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida”, ele disse.
  • Este homem fez muitos milagres. Ele curou um monte de pessoas doentes. Ele transformou água em vinho. Esses milagres provam que ele é Deus.
  • Mas um dia ele é sentenciado a morte e morto em uma crucificação.
  • Seu corpo foi colocado em uma tumba.
  • Mas três dias depois, sua tumba estava vazia.
  • E então o homem, vivo mais uma vez mas ainda com seus ferimentos (para que quem duvidasse pudesse vê-los e tocá-los), apareceu para muitas pessoas em muitos lugares.
  • Então ele ascendeu ao paraíso e agora senta a direita de Deus, seu pai todo-poderoso, para nunca mais ser visto.
  • Hoje você pode ter um relacionamento pessoal com o Senhor Jesus. Você pode rezar para este homem e ele irá atender suas preces. Ele irá curar doenças, resgatar de emergências, ajudar a fazer negócios e decisões familiares importantes, confortá-lo em épocas de sofrimento e preocupação, etc.
  • Este homem também lhe dará a vida eterna, e se você for bom, ele tem um lugar reservado no paraíso para depois que você morrer.
  • A razão para que saibamos que isso tudo é verdade é porque, depois que Jesus morreu, quatro homens chamados Marcos, Lucas e João escreveram fatos sobre sua vida. Seus atestados escritos são a prova da veracidade desta estória.

Esta, claro, é a estória de Jesus. Você acredita nesta estória? Se você é um cristão, você provavelmente acredita. Eu poderia lhe fazer perguntas por horas e você iria me responder a cada uma delas, da mesma maneira que eu respondi todas as do Papai Noel que meu amigo perguntou na primeira estória. Você não consegue entender como alguém pode questioná-la, porque é óbvio demais para você.

Aqui está algo que eu gostaria que você entendesse: as quatro bilhões de pessoas que não são cristãs olham para esta estória cristã da maneira exata que você olhou para a estória do Papai Noel, dos mórmons e dos muçulmanos. Em outras palavras, há quatro bilhões de pessoas que estão fora da bolha cristã, e elas podem ver a realidade claramente. O fato é que a estória cristã é apenas uma ilusão.

Como que quatro bilhões de não-cristãos sabem, com certeza absoluta, que a estória cristã é uma ilusão? Porque a estória cristã é igual às outras estórias anteriores. Não há inseminação mágica, estrela mágica, sonhos mágicos, milagres mágicos, ressurreição mágica, ascenção mágica, e assim por diante. Pessoas fora da fé cristã olham para esta estória e percebem os seguintes fatos:

  • Os milagres supostamente “provam” que Jesus era Deus, mas, previsivelmente, esses milagres não deixaram nenhuma evidência tangível para examinarmos e verificarmos cientificamente hoje. Eles todos envolvem curas milagrosas e truques mágicos.
  • Jesus ressucitou mas, previsivelmente, ele não aparece para ninguém hoje em dia.
  • Jesus ascendeu ao paraíso e responde às nossas preces, mas, previsivelmente, quando rezamos para ele nada acontece. Podemos analisar estatisticamente e perceber queorações nunca são atendidas.
  • O livro onde Mateus, Marcos, Lucas e João dão seus testemunhos existe mas, previsivelmente, está repleto de problemas e contradições.
  • E assim vai.

Em outras palavras, a estória cristã é um conto de fadas, assim como os outros três exemplos que examinamos.

Agora, olhe o que está acontecendo dentro da sua mente neste exato momento. Eu estou usando evidências verificáveis e sólidas para lhe mostrar que a estória cristã é falsa. Entretanto, se você é um cristão praticante, você pode provavelmente sentir a sua “mente religiosa” se sobrepondo à sua mente racional e seu bom senso. Por quê? Por que você é capaz de usar seu bom senso para rejeitar as estórias do Papai Noel, dos mórmons e dos muçulmanos, mas não a estória cristã, que é igualmente absurda?

Tente, só por um momento, olhar para o cristianismo com o mesmo nível de ceticismo que você usou nas três estórias acima. Use seu bom senso para perguntar algumas questões simples para sí mesmo:

  • “Há alguma evidência física de que Jesus existiu?” Não. Ele se foi sem deixar nenhum traço. Seu corpo “ascendeu ao paraíso”. Ele não escreveu nada. Nenhum de seus milagres deixaram qualquer evidência permanente. Não há literalmente nada.
  • “Há alguma razão para acreditar que Jesus fez mesmo aqueles milagres, ou que ele ressuscitou, ou que ele ascendeu ao paraíso?” Nâo há razão nenhuma para se acreditar nisso mais do que temos para acreditar que Joseph Smith encontrou as placas douradas em Nova Iorque, ou que Maomé montou um cavalo alado indo ao paraíso. Provavelmente menos ainda, se levarmos em conta que a estória de Jesus se passou há 2.000 anos e a de Joseph Smith se passou somente há 200.

Ninguém além de crianças pequenas acredita em Papai Noel. Ninguém além dos mórmons acredita em Joseph Smith. Ninguém além dos muçulmanos acredita em Maomé e Gabriel. Ninguém além dos cristãos acredita em Jesus e sua divindade.

Portanto, a questão que eu deixo aqui para você é muito simples: Por que humanos podem detectar contos de fadas com completa certeza quando elas vêm de outras fés, mas não podem detectá-los quando vêm da própria fé? Por que eles acreditam que seus próprios contos de fadas estão certos enquanto tratam os outros como absurdos? Por exemplo:

  • Cristãos sabem que quando os egípcios construíram pirâmides gigantes e mumificaram os corpos dos faraós, que aquilo foi uma completa perda de tempo — senão cristãos construiriam pirâmides.
  • Cristãos sabem que quando os astecas arrancavam fora o coração de uma virgem e comiam-no, não acontecia nada — senão cristãos matariam virgens.
  • Cristãos sabem que quando os muçulmanos se viram para Meca para rezar, que aquilo não faz sentido — senão cristãos se virariam para Meca quando rezassem.
  • Cristãos sabem que quando os judeus evitam misturar carne com leite e derivados, eles estão perdendo seu tempo — senão o X-Burger não seria uma obsessão americana.

Ainda assim, quando cristãos olham para sua própria religião, eles estão, por algum motivo, cegos. Por quê? E não, isto não tem nada a ver com o fato da história cristã ser verdadeira. Sua mente racional sabe disso com certeza, assim como quatro bilhões de pessoas. Este livro, se você permitir, pode lhe mostrar porquê;

UMA EXPERIÊNCIA SIMPLES

Se você for um cristão que acredita no poder da oração, aqui temos uma experiência simples que irá lhe mostrar algo interessante sobre sua fé;

Tire uma moeda do seu bolso. Agora reze sinceramente para Rá:

“Querido Rá, todo-poderoso deus do Sol, eu vou jogar esta moeda 50 vezes, e estou pedindo para que a faça cair “coroa” todas as 50 vezes. Em nome de Rá e peço, amém.”

Agora jogue a moeda. As chances são de que não passe da quinta ou sexta jogada para que a moeda caia em “cara”.

O que isso significa? A maioria das pessoas iria concluir que Rá não existe. Rezamos para Rá, e Rá não fez nada. Provamos que Rá não existe (pelo menos no sentido de não atender orações) usando análise estatística. Se jogarmos a moeda milhares de vezes, rezando para Rá em cada uma delas, descobriremos que a moeda cai em “cara” ou “coroa” com a mesma freqüência de que se nenhuma oração fosse feita. Mesmo que encontrássemos milhares de seguidores fervorosos de Rá e pedíssemos para que eles rezassem por nós, as moedas iriam cair aleatoriamente da mesma maneira. Portanto, como pessoas racionais, concluímos que Rá não existe e que quem acredita nele está enganado.

Quero que tente fazer o mesmo experimento, mas desta vez rezando para Jesus Cristo. Reze sinceramente para ele como:

“Querido Jesus, eu sei que você existe e eu quero que você atenda a minha oração como prometido na Bíblia. Eu vou jogar esta simples moeda 50 vezes, e eu peço para que ela caia como “coroa” todas essas 50 vezes. Em nome de Jesus eu rogo, amém.”

Agora comece a jogar a moeda. Novamente, não passará da quinta ou sexta jogada para que ela caia “cara”.

Se jogarmos a moeda milhares de vezes, rezando para Jesus em cada uma delas, veremos que as moedas caem aleatoriamente da mesma maneira do que se jogássemos ao acaso. Não há duas leis de probabilidades — uma para cristãos que rezam e outra para não-cristãos. Há somente uma lei de probabilidade porque as orações não fazem efeito algum. Jesus não tem poder sobre nosso planeta, não importa o quanto rezamos. Podemos provar isso usando análises estatísticas.

Se você acredita em Deus, veja o que está acontecendo na sua mente agora. Os dados foram absolutamente idênticos em ambos os experimentos. Com Rá, você analisou os dados racionalmente e concluiu que Rá não existe. Mas com Jesus… alguma coisa mais irá acontecer. Em sua mente, você já está vindo com vários raciocínios para explicar por que Jesus não atendeu suas preces:

  • Não é sua vontade.
  • Ele não tem tempo.
  • Eu não rezei direito.
  • Eu não mereço.
  • Eu não tenho fé suficiente.
  • Não posso testar o Senhor desta maneira.
  • Não faz parte do plano de Jesus para mim.
  • E assim vai indo…

Um dos raciocínios que você pode desenvolver é particularmente interessante. Você pode dizer para sí mesmo: “Bem, é claro que Jesus não atendeu minha oração quando joguei a moeda, porque é trivial demais.” Daonde veio esse raciocínio? Se você ler o que Jesus diz na Bíblia sobre orações, verá que Jesus não diz nada como “não ore por mim sobre jogos de ‘cara ou coroa’”. Jesus diz claramente que vai atender suas preces, e não põe nenhuma restrição sobre o que você pode pedir. Você inventou esse raciocínio do nada.

Você é um expert em criar raciocínios para explicar Jesus. O motivo é porque Jesus não atende suas orações. A razão pela qual Jesus não atende suas orações é porque Jesus e Deus não existem.


http://vivendosemfronteiras.wordpress.com/2011/06/26/entendendo-a-ilusao-religiosa/#comment-27

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